Eleições 2026: aborto e drogas dividem presidenciáveis; compare propostas
Nas eleições presidenciais de 2026, os principais candidatos apresentam propostas opostas para temas ligados aos direitos individuais, costumes e valores

Nas eleições presidenciais de 2026, os principais candidatos apresentam propostas opostas para temas ligados aos direitos individuais, costumes e valores sociais no Brasil.
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De um lado, projetos de viés conservador priorizam a defesa da família tradicional e se posicionam contra o aborto e a liberação de drogas. De outro, candidaturas de esquerda defendem a descriminalização do aborto na rede pública e mudanças profundas na política de drogas, com foco em saúde e desencarceramento.
A seguir, veja um comparativo dos posicionamentos dos candidatos obre esses temas.
Defesa da família e valores tradicionais
No campo conservador, Clariana Barão (DC), advogada de 39 anos, estrutura sua candidatura na defesa da família e na preservação de valores cristãos.
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Em seu plano de governo, intitulado "Proteger Hoje, Transformar o Amanhã", a candidata apresenta a família como núcleo central do desenvolvimento social.
Clariana propõe redes integradas de proteção social para mulheres e crianças, com políticas de assistência voltadas ao fortalecimento dos vínculos familiares.
Dentro dessa agenda, ela se posiciona contra a legalização do aborto e contra a flexibilização de leis sobre entorpecentes, argumentando que tais medidas ameaçam o que considera a base moral da sociedade.
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Flávio Bolsonaro (PL) também enfatiza a defesa da família tradicional e dos valores cristãos como eixo de sua plataforma, em continuidade ao legado político de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. No plano apresentado pelo PL, a campanha destaca a proteção e o respeito "à vida desde a concepção" como princípio fundamental.
Esse entendimento leva Flávio a rejeitar qualquer proposta de ampliação do acesso ao aborto para além das hipóteses já previstas em lei.
Em relação às drogas, o candidato se opõe à legalização e defende o endurecimento da fiscalização e das penas para o tráfico, sustentando que a flexibilização da política de drogas aumentaria a criminalidade e comprometeria a segurança das famílias.
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Descriminalização do aborto na rede pública
Em contraposição às propostas conservadoras, candidaturas de esquerda tratam o aborto como questão de saúde pública e de autonomia das mulheres. Hertz Dias (PSTU) defende explicitamente a descriminalização e a legalização do procedimento em todo o país.
No programa de Hertz, o aborto deve ser oferecido de forma legal, segura e gratuita no Sistema Único de Saúde (SUS).
Ele afirma que o Estado não deve submeter a decisão das mulheres a critérios religiosos ou morais, e incorpora à sua campanha o slogan: "Educação sexual para decidir, contraceptivo para não engravidar, aborto legal e seguro para não morrer".
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Na visão do PSTU, essa política busca reduzir mortes maternas e desigualdades no acesso à saúde, ao mesmo tempo em que desloca o debate do campo criminal para o campo dos direitos humanos e da medicina.
A proposta confronta diretamente a defesa da vida desde a concepção feita pelas candidaturas conservadoras.
Samara Martins (UP), que encabeça uma chapa formada integralmente por mulheres, também adota uma posição pró-escolha e de viés socialista. Ela relaciona a proteção da vida das mulheres e a busca por igualdade de gênero à garantia dos direitos sexuais e reprodutivos na rede pública.
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Samara defende a ampliação do acesso à saúde integral das mulheres, incluindo o aborto em condições seguras no SUS, e critica a criminalização das escolhas individuais.
Para a candidata, manter o aborto no âmbito penal aprofunda desigualdades, já que apenas mulheres com menos recursos ficam expostas a procedimentos inseguros.
Legalização das drogas e desencarceramento
As propostas sobre drogas e segurança pública também evidenciam um contraste nítido entre os projetos. Enquanto candidaturas conservadoras defendem o reforço da repressão, programas de esquerda vinculam o tema à saúde pública e à redução do encarceramento em massa.
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Hertz Dias (PSTU) propõe a descriminalização das drogas e a revogação da atual Lei Antidrogas. Segundo o programa do candidato, a política de proibição alimenta a violência, fortalece organizações criminosas e contribui para o encarceramento de jovens, sobretudo negros e moradores de periferias.
A alternativa apresentada por Hertz parte da transferência do foco da esfera penal para a saúde, com ênfase em prevenção, tratamento médico e redução de danos.
O candidato também defende a desmilitarização da Polícia Militar, a unificação das polícias sob controle de trabalhadores e medidas de desencarceramento em massa, além de se posicionar contra a privatização de presídios.
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Samara Martins (UP) segue linha semelhante ao defender que a política de segurança pública substitua a lógica repressiva por um modelo centrado em direitos fundamentais.
Sua plataforma inclui a desmilitarização das polícias e a revisão das políticas de combate às drogas, com o objetivo de reduzir as taxas de encarceramento da população periférica.
Para a candidata da UP, a revisão da legislação antidrogas deve caminhar junto com investimentos em educação, saúde e políticas sociais, redirecionando recursos hoje concentrados em ações de repressão.
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Em sentido oposto, candidaturas conservadoras reafirmam o uso da lei penal e da repressão como instrumentos centrais no enfrentamento às drogas, ampliando a distância entre os caminhos propostos para o futuro da política de segurança no país.
