O deputado federal Alex Manente, presidente nacional do Cidadania, afirmou à BandNews TV que a pré-candidatura do deputado Aécio Neves (PSDB-MG) é uma oportunidade para o Brasil sair da polarização política entre o PT e o bolsonarismo.
Nesta sexta-feira (22), o Cidadania anunciou que aprovou a proposta da pré-candidatura do deputado federal ao Palácio do Planalto. A definição, no entanto, ainda não é definitiva, porque o nome do parlamentar passará por uma análise técnica e política dentro da federação que o partido mantém em conjunto com o PSDB e o Solidariedade.
“É um momento muito importante para a nossa democracia, da eleição presidencial e a oportunidade de termos uma candidatura que possa recuperar a necessidade de debatermos programas, projetos para o futuro do Brasil e não ficarmos nessa polarização que, infelizmente, há décadas se acumula no Brasil e não traz nehuma consequência positiva para o nosso desenvolvimento”, disse Aécio Neves à BandNews TV.
Durante a entrevista, o presidente do Cidadania lembrou que Aécio Neves é uma figura nacional e que quase foi eleito presidente da República nas eleições de 2014 - quando disputou o segundo turno do pleito com Dilma Rousseff (PT).
“Nós temos a oportunidade de, neste momento, resgatarmos a história de um valoroso quadro, preparado, com conteúdo, pronto para debater os desafios do país. Então, nós do Cidadania aprovamos por unanimidade a pré-candidatura do Aécio Neves”, declararou Alex Manente.
Após essa aprovação do Cidadania, a federação se reúne na próxima terça-feira (26) para analisar o nome do deputado federal. À BandNews TV, Alex Manente afirmou que acredita que, a partir dessa reunião, a federação possa levar o nome de Aécio Neves até as convenções partidárias para “propor ao Brasil uma oportunidade daquilo que vem trazendo muitos prejuízos ao país, que é essa polarização entre PT e bolsonarismo”.
Alex Manente pontuou que as candidaturas de Lula e Flávio Bolsonaro têm rejeição que representa quase metade do eleitorado, além de outros candidatos que estão muito restritos à direita e “não conseguem compreender aquilo que significa o eleitor equilibrado, moderado, de centro”.
“Acreditamos que a candidatura de Aécio Neves, que já tem essa envergadura nacional, que tem condições efetivas de levar com muito conteúdo, ele se preparou para ser presidente da República. É resgatar agora todas as possibilidades que já reunimos com todos os atores de um partido que tem muita história, que é o PSDB”.
Pré-candidatura de Aécio
O movimento ocorre após o desgaste do pré-candidato e senador Flávio Bolsonaro (PL) com o vazamento de conversar com Daniel Vorcaro, do Banco Master, em que ele pede dinheiro ao banqueiro para o filme do pai.
O deputado mineiro se reuniu na última terça-feira (19) com representantes de diretórios tucanos, além do Solidariedade e Cidadania. O objetivo do partido e aliados é que o nome de Aécio atraia votos tanto da direita, quanto do centro, já que ele faria críticas tanto para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto ao Flávio Bolsonaro.
Do ápice ao mensalão
Em 2014, o então senador por Minas Gerais e ex-governador do estado, Aécio Neves, consolidou-se como o principal líder da oposição ao governo de Dilma Rousseff (PT). Lançado como candidato à Presidência da República pelo PSDB, Aécio angariou votos com a insatisfação popular que crescia no país desde as manifestações de 2013.
Após uma virada no primeiro turno, ele disputou um segundo turno histórico e extremamente polarizado contra Dilma. Aécio obteve 48,36% dos votos válidos (mais de 51 milhões de votos), sendo derrotado por uma margem estreita. Apesar da derrota, ele saiu do pleito como a maior força política da oposição e presidente nacional do PSDB.
Sua influência começou a ruir nos anos seguintes à eleição, à medida que as investigações da Operação Lava Jato avançaram e começaram a mirar múltiplos partidos, inclusive a oposição. Embora o foco inicial da opinião pública estivesse no governo federal, o nome de Aécio começou a ser citado em delações premiadas que remetiam a supostos esquemas de propina em Furnas e na construção da Cidade Administrativa de Minas Gerais.
O golpe mais severo à sua biografia ocorreu em maio de 2017, com a divulgação da delação premiada dos executivos da J&F (controladora do frigorífico JBS).
