
Embaixador dos EUA na ONU, Mike Waltz
REUTERS/Brendan McDermid
O embaixador dos Estados Unidos na Organização das Nações Unidas (ONU), Mike Waltz, afirmou que o governo americano não permitirá que o hemisfério ocidental seja utilizado como base de operações para adversários e rivais estratégicos do país. Em declaração contundente sobre a geopolítica regional, o diplomata destacou que as maiores reservas energéticas do mundo não podem permanecer sob o controle de opositores dos EUA.
Legitimidade de Maduro sob questionamento
O representante norte-americano elevou o tom das críticas ao regime de Caracas, classificando Nicolás Maduro como um "presidente ilegítimo". Segundo a avaliação de Waltz, Maduro não deve ser reconhecido como um chefe de Estado, uma vez que ele e seus aliados teriam aparelhado as instituições venezuelanas ao longo do tempo.
Na visão do embaixador, por anos o grupo político liderado por Maduro tem manipulado o sistema eleitoral venezuelano com o objetivo de manter o que chamou de "força ilegítima do poder". O diplomata sustenta que o atual governo da Venezuela não possui respaldo democrático para o exercício da função.
Operação policial e combate ao narcotráfico
Ao comentar as recentes tensões e movimentações envolvendo os dois países, Waltz negou categoricamente que exista uma declaração de guerra contra a nação sul-americana. Para o embaixador, as ações em curso devem ser interpretadas estritamente sob a ótica da segurança pública e do cumprimento da lei.
"Não há guerra contra a Venezuela", assegurou o representante na ONU. Segundo ele, as medidas adotadas configuram uma operação das forças policiais baseada em denúncias que tramitam há décadas. Waltz esclareceu que o foco é o combate ao crime organizado e ao tráfico de entorpecentes.
‘Narcotraficante será julgado’, diz Waltz
O diplomata direcionou críticas específicas a Nicolás Maduro e à sua esposa, Cilia Flores, ao contextualizar as ações judiciais conduzidas pelos Estados Unidos. Waltz referiu-se ao líder venezuelano como um "narcotraficante" que, agora sob custódia, enfrentará o tribunal.
Segundo o embaixador Mike Waltz, o processo contra Maduro seguirá os ritos tradicionais da justiça americana. Ele pontuou que o julgamento ocorrerá nos Estados Unidos "de acordo com o Estado de Direito", reafirmando que a questão é tratada pelo governo americano como um caso de polícia e de ordem jurídica, e não como um conflito militar entre Estados soberanos.
Entenda a ofensiva dos EUA contra a Venezuela
Os Estados Unidos realizaram na madrugada de 3 de janeiro uma operação militar contra a Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua mulher, Cilia Flores. A ação provocou bombardeios em pontos estratégicos do país, um apagão em Caracas e levou o governo venezuelano a declarar estado de emergência, acusando Washington de violação de soberania
Horas depois, o presidente americano Donald Trump confirmou o ataque e afirmou que Maduro foi detido por forças dos EUA. Em declarações posteriores, Trump confirmou que o líder venezuelano foi levado para Nova York, nos Estados Unidos, para ser julgado por acusações de terrorismo e tráfico de drogas.
Em entrevista coletiva, Donald Trump afirmou que os Estados Unidos vão governar a Venezuela após a captura de Maduro, declaração que ampliou a reação internacional e levantou questionamentos sobre uma possível ocupação ou administração provisória do país.
O presidente americano também afirmou que a ofensiva teve como um de seus objetivos a recuperação de petróleo que teria sido retirado dos Estados Unidos pelo regime venezuelano. Segundo Trump, o recurso foi tomado “como doce de bebê”, expressão usada por ele para justificar a intervenção e reforçar o discurso de prejuízo econômico aos EUA.
Ele também disse que a captura de Maduro serve como alerta a outros líderes que desrespeitem os interesses dos EUA. Trump declarou ainda que a Venezuela será “reconstruída” com recursos do petróleo recuperado pelos EUA, reforçando a ideia de controle econômico sobre Caracas.
Durante a ofensiva, bombardeios provocaram um apagão em Caracas, segundo autoridades locais, e aeronaves militares americanas foram registradas sobrevoando o território venezuelano.
Após o anúncio da captura, a vice-presidente da Venezuela exigiu provas de vida de Maduro, enquanto o governo chavista solicitou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU.
Trump afirmou que acompanhou a operação em tempo real e comparou a ação a um “reality show”. Mais tarde, a Casa Branca divulgou uma imagem de Maduro sob custódia, sendo levado aos Estados Unidos.

Trump publica foto de Maduro sendo levado aos EUA | Crédito: Reprodução/truthsocial.com/@realDonaldTrump
Na Venezuela, a captura do presidente aprofundou a instabilidade política e econômica. Houve corrida a mercados, e setores da oposição, representados pela líder da oposição, María Corina, passaram a defender uma transição de poder, enquanto cresce a incerteza sobre a condução do país.
A operação recebeu apoio de aliados do governo Trump. O vice-presidente americano afirmou que os ataques se justificam por um suposto “roubo de petróleo” por parte do regime venezuelano.
Em reação, líderes internacionais criticaram a ofensiva. A Rússia condenou a ação e classificou a operação como uma agressão armada.
No Brasil, o governo Lula criticou duramente a ofensiva, afirmando que a captura de um chefe de Estado estrangeiro ultrapassa os limites do direito internacional. O país elevou o nível de alerta militar no Norte, embora o Itamaraty tenha informado que a situação na fronteira segue normal.
Analistas avaliam que a ofensiva dos EUA contra a Venezuela representa uma escalada sem precedentes e pode redefinir o equilíbrio político na América Latina.
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